Sobre qual assunto as pessoas falavam mesmo? Misturei tudo, esperei todas as conversas silenciaram, assim é mais fácil se ouvir e ser ouvido. E conversando aqui comigo, como sempre, decidi algumas coisas muito importantes.
Primeiro: A Bela e a Fera. Vi duas teorias muito interessantes, totalmente contrárias uma à outra, e das quais discordo totalmente.
Uma delas falava sobre estupros cometidos em castelos em tempos medievais, associados a contos e mitos em que seres vários coabitavam com suas esposas humanas, as quais por sua vez, era proibida de olhá-los. O típico caso do estuprador da família, que não pode ser exposto, ou o figurão, que compra o silêncio pela opressão do poder. Uma variante seria o casamento forçado, com um homem grosseiro, mais velho, ao qual a moça teria que aprender a amar, numa hipótese bem otimista. Interessante.
A outra versão falava sobre a opressão familiar e machista que a criação pelo pai impunha às jovens, motivo pelo qual as princesas de contos de fadas são frequentemente órfãs de mãe. Essa teoria defende que para viver o amor, Bela teria necessariamente que se afastar do pai. Ironicamente, foi com ele que ela aprendeu a amar. Intrigante.
No primeiro caso, a rosa no vidro era sinônimo de poder, de controle. Deixá- la tocar a rosa seria perder o controle sobre ela. No segundo caso, a rosa seria a feminilidade aprisionada. A moça queria tocá-la na simbologia de atingir seu pleno potencial feminino.
O problema com essas teorias é que eu gosto da rosa no vidro. Não sou vítima de violência sexual, nem uma fêmea castrada pelo feminismo, obrigada a esconder seu lado rosa. Pelo contrário. Então, simplesmente, não me identifiquei.
Mas a melhor teoria foi não-formulada por meu marido. Sem nem saber de nada disso, numa de nossas conversas, ele me comparou a uma rosa numa redoma de vidro( oi?). E noutra conversa, ele me perguntou se eu não o achava muito "chucro" pra mim. Aí eu descobri porque eu gosto da rosa: não é prisão, é proteção. É vivência plena da feminilidade. O castelo não é o antro soturno da agressão, o grito mudo da vítima. O castelo é apenas o habitat natural das princesas.
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