19 de jan. de 2018

Onde eu não fui chamada, lá está o meu nariz...

    Deixei de dar muitas opiniões, sobre muitas coisas. Não que alguém tenha pedido por elas, não pediriam. Ao contrário. Mas eu não seria eu se não tivesse minha velha opinião formada sobre tudo, no meu melhor estilo anti Raul( Seixas).
     Sobre qual assunto as pessoas falavam mesmo? Misturei tudo, esperei todas as conversas silenciaram, assim é mais fácil se ouvir e ser ouvido. E conversando aqui comigo, como sempre, decidi algumas coisas muito importantes.
Primeiro: A Bela e a Fera. Vi duas teorias muito interessantes, totalmente contrárias uma à outra, e das quais discordo totalmente.
     Uma delas falava sobre estupros cometidos em castelos em tempos medievais, associados a contos e mitos em que seres vários coabitavam com suas esposas humanas, as quais por sua vez, era proibida de olhá-los. O típico caso do estuprador da família, que não pode ser exposto, ou o figurão, que compra o silêncio pela opressão do poder. Uma variante seria o casamento forçado, com um homem grosseiro, mais velho, ao qual a moça teria que aprender a amar, numa hipótese bem otimista. Interessante.
A outra versão falava sobre a opressão familiar e machista que a criação pelo pai impunha às jovens, motivo pelo qual as princesas de contos de fadas são frequentemente órfãs de mãe. Essa teoria defende que para viver o amor, Bela teria necessariamente que se afastar do pai. Ironicamente, foi com ele que ela aprendeu a amar. Intrigante.
    No primeiro caso, a rosa no vidro era sinônimo de poder, de controle. Deixá- la tocar a rosa seria perder o controle sobre ela. No segundo caso, a rosa seria a feminilidade aprisionada. A moça queria tocá-la na simbologia de atingir seu pleno potencial feminino.
O problema com essas teorias é que eu gosto da rosa no vidro. Não sou vítima de violência sexual, nem uma fêmea castrada pelo feminismo, obrigada a esconder seu lado rosa. Pelo contrário. Então, simplesmente, não me identifiquei.
    Mas a melhor teoria foi não-formulada por meu marido. Sem nem saber de nada disso, numa de nossas conversas, ele me comparou a uma rosa numa redoma de vidro( oi?). E noutra conversa, ele me perguntou se eu não o achava muito "chucro" pra mim. Aí eu descobri porque eu gosto da rosa: não é prisão, é proteção. É vivência plena da feminilidade. O castelo não é o antro soturno da agressão, o grito mudo da vítima. O castelo é apenas o habitat natural das princesas.

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