Com o início dos processos seletivos para as universidades, volta à pauta um assunto que tem fomentado atitudes de discriminação racial: as cotas para negros em universidades. Eu sou negra. Não na pele e nos cabelos, mas no sangue, na consciência, nos ancestrais, no álbum de família multicolorido(lindo!). Mas não engulo estas tais cotas de jeito nenhum.
Querem nos fazer crer que um negro não teria igualdade de chances ao competir com um chamado "branco" no vestibular, e todos nós sabemos que isso não é verdade. Os movimentos afro-brasileiros que estimulam estes programas vergonhosos estão, na verdade, aceitando que os negros entrem na universidade pela porta dos fundos, quando eles têm todo o direito de entrar pela porta da frente, a porta da capacidade, do respeito, da dignidade. E não numa concessão feita como que por esmola. A faculdade é um direito do negro, do branco, vermelho, amarelo, azul, roxo, enfim, de todos os seres humanos!
O que nos diferencia na hora do vestibular não é a cor da pele, e sim a bagagem educacional, o nível de estudo. Claro que existe uma questão histórica e cultural envolvendo o negro, mas o problema atual está nas escolas públicas de má qualidade, no descaso dos governantes com os que não podem pagar um bom colégio ou um cursinho. O que deveria ser feito e incentivado por todas as cores da população, é uma política de fortalecimento da escola pública, de melhoria do ensino aos pobres. As cotas são uma forma de mascarar o problema, não de solucioná-lo. Se esta prática for incentivada, logo teremos também bairros, restaurantes, escolas só para negros, e sabe Deus o que mais. Querem incorporar o Apartheid à cultura brasileira?!
(Texto publicado pela primeira vez no jornal Gazeta da Região).
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